A atividade “Projeto de interiores em embarcações: ergonomia, aproveitamento de espaços e especificação de materiais na interface com a arquitetura de interiores” foi acompanhada pela professora Alexssandra da Silva Fidelis. Conforme a professora, a programação incluiu demonstrações produtivas, tecnologias construtivas e soluções aplicadas na fabricação de embarcações.
Ela salienta a possibilidade de os acadêmicos, com base nos conceitos apresentados, estabelecerem relações entre o design náutico e o campo da arquitetura de interiores. Segundo a professora, a visita reforçou a relevância da compatibilização entre estética, funcionalidade e viabilidade construtiva.
Acadêmicos da 9.ª fase do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFEBE visitaram o Estaleiro Silvério, na cidade de Tijucas. No local, eles participaram de um workshop técnico focado em processos e no desenvolvimento de projetos de interiores em embarcações.
Durante a troca de experiências, os acadêmicos puderam conhecer desde a estrutura organizacional da empresa até os processos produtivos e as tecnologias empregadas na fabricação de barcos. A visita também os aproximou do grupo de softwares, desenhos técnicos e modelagens digitais utilizados na concepção dos projetos.
“A proposta integrou conteúdos relacionados ao detalhamento construtivo, especificação de materiais, ergonomia, percepção espacial e processos de fabricação, permitindo que os estudantes compreendessem como diferentes áreas do design e da arquitetura dialogam no contexto náutico”, descreve.
Nova abordagem
De acordo com Milena Mello, acadêmica da 9.ª fase do curso, a atenção às particularidades do setor é fundamental para a atuação com foco no ambiente náutico, que tende a atrair pessoas com um perfil mais detalhista. Ela salienta a necessidade de atenção a dimensões e materiais menos recorrentes em outros ambientes, além de especificidades para a atividade no mar, como o peso, eficiência e resistência à água e ao sal.
“Dentre as diversas oportunidades que a arquitetura nos permite trabalhar, design náutico era algo que nunca havia considerado, até por ser algo pouco conhecido e aplicado no Brasil. Apesar de ser muito específico, o workshop foi muito importante para conhecermos mais uma possível área de atuação para nós, futuros arquitetos”, afirma.
Possibilidades de mercado
O coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, professor Marcelius de Oliveira Aguiar, afirma que a visita contribui para ampliar a compreensão dos diferentes campos de atuação dos futuros profissionais. Segundo ele, a experiência permite que os acadêmicos percebam como os conhecimentos adquiridos ao longo do curso podem ser aplicados em áreas específicas.
Para ele, o contato com contextos especializados amplia o repertório dos acadêmicos, proporcionando uma percepção mais cuidadosa dos projetos e uma preparação mais completa para a atuação profissional. “Reforça a necessidade de uma formação arquitetônica conectada à realidade do mercado, à inovação tecnológica e aos setores produtivos que dialogam diretamente com a arquitetura, o design e a indústria”, avalia ele. “Atividades como essa fortalecem a relação entre teoria e prática, despertam novos interesses profissionais e mostram aos acadêmicos que a arquitetura está presente em muitos territórios, inclusive aqueles que, à primeira vista, podem parecer distantes da formação tradicional”.
No caso do setor de design de interiores para embarcações, o coordenador destaca o cuidado técnico exigido, para além da atenção estética aos espaços. Conforme ele, fatores como ergonomia, precisão técnica, escolha criteriosa de materiais e para o aproveitamento das áreas disponíveis e assim como a compatibilização entre forma e função, são tão fundamentais quanto a viabilidade construtiva.
“No caso das embarcações, esses aspectos se tornam ainda mais cruciais, pois cada decisão projetual precisa considerar condicionantes muito específicas, como peso, resistência à umidade, ação do sal, durabilidade, segurança, conforto e eficiência espacial. Trata-se de um campo que exige sensibilidade, rigor técnico e capacidade de resolver problemas de maneira integrada”, detalha.