As pesquisas focadas na Igreja Matriz São Luís Gonzaga, de Brusque, conduzidas por integrantes do Grupo de Pesquisa Forma e por acadêmicos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFEBE foram apresentadas no 11.º Fórum Internacional de Patrimônio Brasil-Portugal (FIPA), realizado este ano em Florianópolis. No evento, que tem como objetivo fomentar a preservação do patrimônio arquitetônico, os representantes da UNIFEBE apresentaram os trabalhos científicos, bem como maquete desenvolvida com base em análise documentais e de projetos e visitas técnicas. Além disso, foi apresentado o trabalho de digitalização e reconstrução gráfica da construção projetada pelo arquiteto alemão Gottfried Böhm.
Essa é a primeira participação do Grupo de Pesquisa e do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIFEBE no Fórum Internacional, conforme o coordenador do curso, professor Marcelius Oliveira de Aguiar. Para ele, o resultado do trabalho foi positivo até o momento, já que a iniciativa é a primeira do grupo no segmento de Historic Building Information Modelling (HBIM).
“Ficamos bastante contentes com o que foi apresentado. Geralmente, uma obra não é executada exatamente como é projetada, e isso também ocorreu na igreja. Na segunda etapa da pesquisa, utilizamos os equipamentos do projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) para escanear a igreja por fora e por dentro. Assim, veremos as diferenças entre o projeto e execução”, descreve.
A acadêmica Rutnoemi Castillo ressalta a oportunidade de acompanhar diferentes etapas da pesquisa, como o levantamento histórico do local e trabalho do arquiteto responsável pelo projeto. No redesenho dos planos, ela salienta ter conseguido conhecer melhor a edificação e analisar as diferenças entre os desenhos originais e a edificação finalizada.
Segundo ela, o projeto destaca-se por sua contribuição para a preservação histórica. “Existem diferentes caminhos dentro da pesquisa, mas todos contribuem para que a história e a importância da Igreja Matriz para a cidade e para a arquitetura continuem sendo estudadas e conhecidas por diferentes gerações.”
De acordo com ela, a experiência pode ser compartilhada durante a FIPA, com integrantes de outros pesquisadores, que trabalham na produção dos chamados gêmeos digitais de edificações. “Acredito que o projeto contribui muito para a minha formação, pois permite aplicar, de forma mais aprofundada, metodologias que também utilizamos em sala de aula de maneira mais aprofundada. A pesquisa é uma ferramenta fundamental para o arquiteto, pois permite construir um repertório e ampliar a perspectiva. Com a reconstrução, sinto que vamos além de simplesmente estudar uma obra. Existe uma imersão no projeto para tentar entender as decisões e escolhas do arquiteto que o desenvolveu”, avalia.
Reconstrução
Intitulada “Igreja Matriz São Luís Gonzaga de Brusque (SC): a (re)construção do projeto”, a pesquisa apresentada no evento reúne modelos tridimensionais que permitem uma comparação entre o projeto original, o prédio construído e o modelo digital, elaborado pelo grupo. Esse trabalho é assinado pelos professores Bárbara d’Acampora, Marcelius Oliveira de Aguiar, Thiago Mendes e Rudivan Cattani e pela acadêmica Rutnoemi Luisa Castillo Quijada.
“A intenção não é apenas redesenhar o edifício, mas também utilizar a reconstrução gráfica como instrumento de investigação e produção de conhecimento sobre sua arquitetura”, detalha o integrante do Grupo Forma, professor Rudivan Cattani.
Ele salienta que, embora a análise ainda esteja em andamento, foi possível identificar o que classifica como “diferenças importantes” entre o projeto original e a construção emblemática do centro da cidade. “Uma delas aparece na estrutura interna: nos desenhos originais, os pilares parecem atravessar ou se integrar diretamente aos grandes arcos-viga da nave. Na construção, entretanto, essa continuidade não ocorre da mesma maneira, o que modifica a leitura estrutural e tectônica originalmente proposta”, detalha.
Além da produção científica, o professor destaca os desdobramentos educacionais, patrimoniais e tecnológicos da iniciativa. Como parte do trabalho, estão sendo desenvolvidos modelos físicos e maquetes de papel montáveis, para utilização em ações de educação patrimonial com escolas da região.
“Nesse sentido, o caso da Igreja Matriz ultrapassa o interesse exclusivamente local. Ele contribui para o debate sobre como documentar, interpretar, ensinar e preservar o patrimônio arquitetônico moderno, aproximando a pesquisa universitária da comunidade e das instituições responsáveis por sua conservação”, acrescenta.
A participação no FIPA também proporcionou o intercâmbio com pesquisadores e instituições de diferentes lugares, ampliando a visibilidade da UNIFEBE, do curso e da produção acadêmica realizada pelo Grupo FORMA.
Antes de ser apresentado no FIPA, o trabalho foi exibido em um “pré-evento” em Brusque, que incluiu uma visita guiada à Igreja Matriz. O Grupo FORMA produziu um artigo sobre essa atividade, que foi publicado na revista do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.