A programação da Semana da Mulher da UNIFEBE envolveu centenas de pessoas no campus Santa Terezinha, entre professores, acadêmicos, técnicos administrativos e a equipe organizadora. Mesa-redonda, exposição, oficinas de saúde, baú de crenças e palestra trouxeram temáticas diversas, incluindo combate à violência contra a mulher, protagonismo feminino e o papel da moda na emancipação e na opressão.
A Semana da Mulher é organizada pelo Laboratório de Cidadania e Educação em Direitos Humanos (LACEDH) e pelo Centro Acadêmico de Direito 10 de Dezembro (CAD10), em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
A vice-presidente do CAD10, Maria Luiza Tomazoni, foi aluna do Colégio UNIFEBE e, anos depois, como acadêmica, vê com alegria o fato de seguir participando de iniciativas que demonstram o compromisso da instituição com debates relevantes para a sociedade.
“Falar sobre o Dia da Mulher é essencial, não apenas para nós, mulheres, mas também para todos que fazem parte dessa construção coletiva. Ainda enfrentamos uma realidade em que muitos espaços continuam sendo predominantemente masculinos ou marcados por preconceitos, o que torna essa luta diária por respeito, reconhecimento e igualdade ainda mais necessária. Que possamos não apenas conquistar nosso espaço, mas também nos tornar referência e inspiração para as próximas gerações.”
A reitora da UNIFEBE, professora Rosemari Glatz, destaca a Semana da Mulher como parte fundamental da instituição no fomento do debate e do desenvolvimento do pensamento crítico.
“Além da formação acadêmica, a UNIFEBE tem como compromisso promover debates que contribuam para uma sociedade mais consciente, mais respeitosa e mais justa. Ao longo da Semana, passamos por vários momentos de reflexão, diálogo e integração. Com uma programação voltada à valorização das mulheres, à promoção dos Direitos Humanos e ao fortalecimento de uma cultura de respeito, cuidado e responsabilidade social.”
Durante a programação, o dia mais movimentado foi quarta-feira, 11. No átrio do Bloco A, foram realizadas oficinas dos cursos de Fisioterapia e Enfermagem, além da iniciativa Baú de Crenças e da Exposição Moda, Pele e Poder: Feminilidades em Transformação.
Discriminação em xeque
O Baú de Crenças é uma ação organizada pela professora Giselly Cristini Mondardo Brandalise e por acadêmicas e acadêmicos do Curso de Direito. O objetivo é promover a reflexão e combater a violência e a discriminação contra as mulheres, bem como contestar “crenças limitantes” registradas sobre as mulheres.
A professora Giselly aprovou o desempenho do Baú de Crenças em 2026 e percebeu um maior engajamento. “Essa é a quarta vez que participo da Semana da Mulher na UNIFEBE. Percebo o quanto, a cada ano, cresce a participação e o interesse dos estudantes em entender as diferentes dimensões que alcançam e afetam a vida da mulher na sociedade.”

Proteção, combate à violência e protagonismo
Na terça-feira (10), foi realizada mesa-redonda Protagonismo Feminino em Diferentes Espaços, com as professoras Shirlei de Souza Corrêa e Daíra Andréa de Jesus, a Sargento Caroline Leite da Silva, da Polícia Militar, e da juíza da Vara da Fazenda Pública e dos Registros Públicos de Brusque, Iolanda Volkmann. A mediação ficou a cargo da assessora pedagógica do Núcleo Pedagógico e de Desenvolvimento Docente (NPDD), Paula Eduarda Gulini.
Foi uma discussão muito enriquecedora, conforme classifica a professora Shirlei de Souza Corrêa, do Curso de Pedagogia. Mulheres com diferentes vivências, formações e áreas de atuação trouxeram reflexões sobre conquistas e lutas por novos avanços.
“Foi uma proposta que discutiu questões relacionadas ao Dia da Mulher, mas não de forma romantizada. Pelo contrário, foi uma discussão que problematizou muitas questões, reconhecendo todos os avanços históricos, mas também problematizando o que ainda precisa ser alcançado, o que ainda precisa ser reconhecido”, afirma.
A professora ressalta também a conversa no evento sobre o combate à violência contra a mulher. “Sobretudo, a necessidade de se pensar em políticas públicas já no contexto da Educação Básica, desde as crianças pequenas, como contribuição para promover a não violência, não apenas contra mulheres.”

Segurança pública
Na quinta-feira (12), último dia do evento, foi realizada a live Direito e Proteção: Atuação da Polícia Civil no Combate à Violência contra a Mulher, transmitida pelo canal da UNIFEBE no YouTube. O professor Odair Rogério Sobreira Xavier conversou com a coordenadora estadual das delegacias de apoio à mulher, Patrícia Maria Zimmermann d’Ávila.
O evento tratou dos mais diversos temas relacionados à violência contra a mulher. A delegada explicou diversos aspectos do trabalho da Polícia Civil, abordou a necessidade de um olhar de gênero na segurança pública, o papel dos homens no combate à violência e como proceder em caso de denúncias. Ao final da live, ela também condenou os ataques recentes à Lei Maria da Penha.
“As mulheres ainda sofrem uma grave violação de direitos humanos. Essa violação pode se manifestar como um crime de lesão corporal, um crime de estupro, um crime de feminicídio. […] Infelizmente, a sociedade não avançou ao ponto de enxergar as mulheres como sujeitos de direito”, lamenta.
Os principais canais de denúncia de violência contra a mulher são os telefones 181 (estadual) e 180 (nacional). Em casos nos quais já existe medida protetiva de urgência, deve-se ligar para o telefone 190, da Polícia Militar. Em Santa Catarina, é possível denunciar pelo WhatsApp (48) 98844-0083.
Para denúncias em delegacias, procure a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ou a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI). Em municípios que não possuam serviço especializado, procure a Delegacia de Polícia Civil mais próxima.
Moda, opressão e emancipação
A exposição Exposição Moda, Pele e Poder: Feminilidades em Transformação foi organizada pelas professoras Jô Rosa e Thaissa Schneider. O público pôde observar como a moda atuou, em diferentes momentos históricos e de forma simultânea, tanto como instrumento de controle social quanto como linguagem de emancipação feminina.
Movimento Sufragista, Revolução Industrial, Primeira Guerra Mundial, Anos 1920 e Segunda Onda Feminista foram alguns dos recortes históricos explorados. Outros temas abordados envolveram peças de vestuário, como o espartilho, o sutiã e o biquíni.

Saúde e cuidado
Na noite de quarta-feira (11), acadêmicas, professoras e técnicas administrativas receberam um tratamento especial no átrio do Bloco A. Em uma oficina, turmas do Curso de Enfermagem ofereceram aferição de pressão, glicemia capilar e tipagem sanguínea. Elas ambém orientaram o público sobre doação de sangue e prevenção de câncer de pele.
“O Curso de Enfermagem ficou muito feliz pelo convite e por ter participado dessa ação tão relevante em alusão à Semana da Mulher. Ela foi muito importante para a conscientização e promoção da saúde da comunidade acadêmica. O engajamento dos alunos foi surpreendente, demonstrando o compromisso do curso com a responsabilidade social e o cuidado com as pessoas. Foi uma experiência enriquecedora para todos os envolvidos”, resume a coordenadora do curso, professora Aline Sturmer.
O Curso de Fisioterapia também participou, oferecendo uma oficina de massagem às mulheres. Assim como na ação de Enfermagem, filas de acadêmicas se formaram para aproveitar a oportunidade
“Estivemos com nosso espaço de relaxamento das 18h30 às 20h30, participando dessa semana em homenagem às mulheres. Foram atendidas 130 mulheres, por 19 estudantes. Foram alguns minutos de relaxamento e bem-estar que pudemos proporcionar para colaboradoras e acadêmicas. Todas saíram agradecidas, mais relaxadas e pedindo mais momentos como esse ao longo do ano”, destaca a professora Mariana Ferreira dos Anjos, que supervisionou a oficina.