A participação do Colégio UNIFEBE na Feira Brasileira de Educação Científica (Febic) 2026, realizada em Joinville, foi coroada com o reconhecimento de 13 projetos desenvolvidos pela instituição. O Colégio participou com 31 iniciativas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Eles foram premiados entre cerca de mil inscritos do Brasil, do Paraguai, do México e da Colômbia. Nesta edição, foram aceitos projetos nas categorias como Ciências Sociais, Tecnologia, Ciências Exatas, Ciências da Saúde, Engenharia e Meio Ambiente.
Entre as premiações, o colégio conquistou o primeiro lugar na categoria Ciências Agrárias e o terceiro lugar no Prêmio IBIC Excelência, com o projeto “Do Isopor à Casca de Arroz – Fase II: desenvolvimento de uma bandeja sustentável visando reduzir o impacto ambiental causado pelo poliestireno expandido”. Ele também foi escolhido como o melhor de Santa Catarina. A iniciativa foi produzida pelos estudantes Julia Hilleshein do Amaral, Sophia de Souza Paza e Vitor Hugo Telles.
Outro primeiro lugar foi conquistado na categoria Linguística, Letras e Artes, com “A Pequena Turpial: desenvolvimento de literatura infantil bilíngue como recurso pedagógico para facilitar a integração de imigrantes venezuelanos no Ensino Fundamental I”, das estudantes Alice Ponticelli e Sabrina Fischer.
Também em Ciências Agrárias, o segundo lugar foi conquistado pelo projeto “Da colmeia ao morango: desenvolvimento e avaliação de um spray antifúngico à base de geoprópolis para o controle de fungos em morangos pós-colheita provenientes da agricultura familiar”, produzido por Pietro Comandolli Andreoti, Nicole Pereira do Nascimento e Heloísa Tomaz.
O Colégio também recebeu o Destaque em Protagonismo Feminino, com o “Protocolo de triagem e literacia em saúde menstrual: desenvolvimento de ferramentas de identificação precoce da endometriose na adolescência”, das estudantes Maria Eduarda Gripa e Maria Luiza Machado Leite. O Mérito Científico foi para “Produção de embalagem biodegradável para picolé”, de Beatriz Faian, Maria Luiza Kohler e Maria Valentina Heil Moreira; enquanto o “Destaque em Preservação e Gestão Sustentável da Água” foi para o “Sistema inteligente de monitoramento de vazão para detecção contínua de vazamentos em redes de abastecimento de água potável”, de Camila Day, Luiz Hercílio Vogelsanger Martins e Luiz Fernando Vargas Bertolini.
Com o projeto “MESHPAVER: caracterização e validação de pavimentos sustentáveis incorporados com resíduos particulados de desfibragem têxtil, proporcionando a simbiose industrial”, os estudantes Joana Laís Kohler, Mariana Possobom Raimundi e Manuela Leandro da Conceição conquistaram o segundo lugar na categoria de Ciências Sociais Aplicadas.
Na categoria Ciências Humanas, o terceiro lugar foi conquistado pelo projeto “Da Colmeia à Sala de Aula: meliponicultura como ferramenta de educação ambiental no Ensino Fundamental I”, da estudante Eduarda Reinert Lungen. Já “Monitoramento inteligente de recursos hídricos: dispositivo IoT para detecção de vazamentos e consumo excessivo em residências”, de José Lourenço Lenz, ficou em terceiro na Categoria III.
O prêmio Destaque em Multiculturalismo foi entregue ao projeto “Culturas do Mundo: criando um livro digital interativo para aprender, compartilhar e valorizar a diversidade cultural”, das estudantes Laura de Pinho, Maria Eduarda Reis e Sophia Schmitz Rocha. Já Valentina Dagnoni recebeu o reconhecimento “Talento Científico em Ciências Sociais” pelo projeto “Informalidade registral urbana: uma análise das causas e consequências da ausência de registro de imóveis em Brusque-SC”.
A Pequena Turpial
Para além do rigor metodológico e científico envolvido no projeto A Pequena Turpial, a estudante do 3.º ano do Ensino Médio, Alice Ponticelli, destaca o fator humano do projeto. Segundo ela, a participação na feira com a iniciativa foi uma experiência única e em um momento especial, marcante para seu último ano na instituição.
Para desenvolver o projeto, com a colega Sabrina Fischer, elas se apoiaram em uma pesquisa bibliográfica e em entrevistas com imigrantes venezuelanos residentes em Brusque. A escuta e a empatia envolvidas no processo serviram de base para a construção do livro, que se desenvolveu por meio dos relatos. Após ser finalizado, o material foi aplicado nas escolas com maior número de estudantes imigrantes matriculados.
“É um projeto inteiramente social; ele é muito humano; tem essa questão de querer ajudar o próximo. Só que, ao mesmo tempo, tem um rigor metodológico muito forte, e foi isso que destacou o nosso projeto na categoria”, avalia. Segundo ela, além da teoria, o projeto contou com aplicação e validação por meio de questionários.
O resultado do trabalho está disponível em um canal Pequena Turpial do YouTube, onde é possível assistir aos vídeos da história do livro, inclusive com legendas em língua portuguesa ou espanhola. Segundo ela, os contatos com educadores feitos durante a programação demonstraram o valor humano do projeto. “Muitas pessoas pegaram o link do vídeo e falaram que iriam aplicar nas escolas, como uma forma de incluir esses estudantes”, lembra. “Ali percebemos que, mesmo que o grupo não ganhasse prêmio, estaríamos felizes, porque o projeto tinha cumprido seu papel.”
Trabalho coletivo
O estímulo à iniciação científica dos estudantes da região é um dos objetivos da Fundação Educacional de Brusque (FEBE), que é a instituição mantenedora do Colégio UNIFEBE. A presidente da FEBE e reitora da UNIFEBE, professora Rosemari Glatz, relata que as premiações reforçam esse caminho e que os projetos podem ganhar sequências por meio de pesquisas.
“Orgulha-nos ver tantos projetos premiados, bem como o número e a qualidade de projetos produzidos no Colégio. São inúmeras iniciativas que possibilitaram estimular novos olhares para temas que consideram os contextos e locais e que, com o envolvimento dos estudantes, sob orientação e com a disponibilidade de toda a estrutura e suporte fornecidos pela graduação, podemos estar estimulando futuras pesquisas mais detalhadas sobre eles”, projeta.
Reconhecendo o trabalho de estudantes e professores envolvidos em cada projeto, o diretor do Colégio UNIFEBE, professor Leonardo Ristow, destaca a dedicação às propostas e suas contribuições para a formação dos estudantes. “Esse desempenho é fruto do envolvimento de muitas pessoas. O resultado deste ano em que conquistamos muitos resultados positivos é muito devido ao envolvimento dos estudantes e à sua capacidade de aprendizagem e de desenvolvimento de pesquisa, além da organização, do investimento e da sistematização do Colégio”, descreve.
Outro ponto destacado por ele é a disponibilidade da infraestrutura e o suporte fornecidos para os projetos. “Contamos com a participação de professores consultores, tanto do Colégio quanto da graduação, e a utilização dos laboratórios da UNIFEBE para a realização de algumas pesquisas também contribuiu significativamente para esse resultado.
Para a coordenadora pedagógica Natália Ribeiro Gums, o orgulho da instituição com a participação não se resume aos resultados conquistados, mas à experiência proporcionada aos estudantes durante o processo de elaboração dos projetos. “Foram meses de dedicação, muitas tardes de estudos, pesquisas, testes, erros, acertos e descobertas. Ver o empenho deles durante todo esse processo e acompanhar o quanto cresceram é motivo de muito orgulho. Os resultados são importantes, mas são esses momentos que despertam a curiosidade, a autonomia e o desejo de aprender; são o que realmente fazem tudo valer a pena”, descreve.
Para a professora Daniela Bos, orientadora das iniciativas desenvolvidas pelo Ensino Fundamental, o apoio foi fundamental para o desenvolvimento e o sucesso dos trabalhos. Ela afirma que as premiações reconhecem e valorizam o esforço conjunto de estudantes, professores orientadores e coordenação.
“Foi um momento muito significativo de reconhecimento e validação do trabalho desenvolvido ao longo do ano nas aulas de Iniciação Científica. A experiência de trabalhar com pesquisa amplia os horizontes no campo da educação, contribuindo para a formação de estudantes mais críticos, curiosos e interessados em compreender o mundo que os cerca. Além disso, o envolvimento com a pesquisa desperta nos alunos o protagonismo, a autonomia e a capacidade de compartilhar seus conhecimentos, motivando também os colegas em sala de aula”, indica.