Acadêmicos da quinta fase do Curso de Psicologia da UNIFEBE realizaram, em maio, um projeto de intervenção com pessoas atendidas pelo Albergue Municipal de Brusque. A atividade integrou o componente curricular Psicologia Social e proporcionou aos estudantes a oportunidade de aliar a teoria à prática por meio de uma experiência social e comunitária.
O projeto visou promover espaços de acolhimento, escuta e interação, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos sociais e valorizando as experiências de vida dos participantes. As atividades foram planejadas e conduzidas pelos acadêmicos, considerando as necessidades e o contexto dos moradores atendidos pelo serviço.
Semanalmente, às segundas-feiras, os acadêmicos realizavam intervenções com diferentes temáticas, como habilidades socioemocionais, projeção de futuro, entre outras. Segundo o acadêmico Carlos Eduardo Rocha Salgado, o objetivo dessas abordagens era proporcionar maior autonomia e possibilidades para o futuro das pessoas em situação de vulnerabilidade social.
“Fizemos parte de um acolhimento, de certa forma. E foi bem bacana esse projeto, porque nos comentários daquelas pessoas que participavam das intervenções, sentíamos um senso de gratidão e de escuta.”
O estudante destaca que essa experiência foi muito importante para a sua formação como futuro psicólogo e que marcará os próximos passos dele e de seus colegas.
“Para muitos ali, a psicologia social não era a primeira opção. Então, não tinham essa visão de que eles poderiam trabalhar com esse público, de que poderiam trabalhar em instituições sociais, instituições que visam ajudar populações mais vulneráveis. E, nesta atividade, viram uma possibilidade de atuação profissional. Também passamos por diversos momentos de sensibilização. O pessoal ficou bem emocionado, tanto os participantes quanto os alunos.”
O grupo da acadêmica Marcella Schaefer Fedeli foi o último a realizar intervenções e optou por uma atividade que fosse completamente diferente das demais. “Muitos temas já haviam sido trabalhados pelos grupos anteriores. Por isso, pensamos em proporcionar um momento diferente para os participantes: algo que fosse ir além de uma conversa tradicional e que criasse uma experiência significativa. Foi então que surgiu a ideia de criar uma sessão de cinema.”
Após a exibição de um filme, foi realizada uma roda de conversa. “Foi um momento muito rico, no qual eles puderam compartilhar suas histórias, dificuldades, sonhos e o que ainda desejam conquistar. Mais do que uma conversa, percebemos que aquele espaço representou uma oportunidade para que fossem ouvidos, algo que muitas vezes faz falta para as pessoas em situação de rua. Ter alguém disposto a ouvir suas vivências, sem julgá-las e com interesse genuíno tornou esse momento um dos pontos mais importantes da intervenção.”
Ao término da roda de conversa, cada participante foi convidado a criar um cartaz que representasse o “próximo filme de sua vida”, projetando uma nova fase. “Foi uma experiência muito gratificante. Mais do que realizar uma intervenção, tivemos a oportunidade de viver um momento de troca, escuta e reflexão com eles. Percebemos que, mesmo em um curto espaço de tempo, foi possível estabelecer conexões verdadeiras e proporcionar um momento de leveza, acolhimento e esperança. Da mesma forma que a atividade despertou reflexões nos participantes, ela também nos transformou como estudantes e futuros psicólogos.”
Marcella relata que saiu da experiência com a certeza de que, muitas vezes, o que mais impacta uma pessoa não é a complexidade da intervenção, mas a forma como ela é acolhida, escutada e valorizada. “Esse momento nos mostrou que a Psicologia também está presente nesses pequenos encontros, que são capazes de fortalecer a autoestima, resgatar possibilidades e lembrar cada pessoa de que sua história ainda pode ganhar novos capítulos.”
A disciplina Psicologia Social, ministrada pela professora Fernanda Chiaratti, visa aproximar os estudantes de diferentes realidades sociais. Os alunos são incentivados a desenvolver intervenções comprometidas com a promoção da saúde mental, da cidadania e da inclusão social.
Conforme a professora, a iniciativa reafirma o compromisso da UNIFEBE com uma formação acadêmica humanizada, que incentiva a integração entre ensino, comunidade e transformação social.
“Além de beneficiar os moradores do Albergue Municipal, o projeto proporcionou aos acadêmicos uma vivência essencial para a formação profissional, fortalecendo competências como escuta qualificada, conduta ética, trabalho em equipe e comprometimento com a responsabilidade social”, destaca.
A coordenadora do Curso de Psicologia da UNIFEBE, professora Andreia Martins, destaca a psicologia social como uma das áreas mais fortes da instituição. Ela explica que, enquanto os acadêmicos têm a oportunidade de pôr em prática o que aprendem em ambientes de acolhimento, como o Albergue Municipal, as pessoas em situação de vulnerabilidade social atendidas por esse serviço encontram, nos atendimentos da UNIFEBE, o que há de mais moderno na psicologia social para contribuir para uma melhor qualidade de vida.
“A formação se reflete na prática que os componentes curriculares procuram desenvolver na comunidade. A disciplina de Psicologia Social é um exemplo desse compromisso. Os alunos desenvolvem vários projetos com o objetivo de fortalecer esse espírito de cidadania das pessoas que utilizam o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em todos os seus níveis.”