Uma pesquisa focada nos efeitos no projeto de extensão da UNIFEBE será apresentada durante a Paulo Freire Conference 2026, da Universidade de Columbia. “Extensão universitária e inclusão como tecnologia social: uma análise freireana do projeto Inclusão em Ação” analisa as contribuições do programa, desenvolvido pelo curso de Licenciatura em Educação Especial no primeiro semestre de 2025 para a formação dos acadêmicos, bem como os efeitos sociais e institucionais da ação.
Assinado pela acadêmica Maria Eduarda Batista Tiago, com o professor Guilherme Augusto Hilário Lopes e da coordenadora do curso, Raquel Maria Cardoso Pedroso, o trabalho será apresentado virtualmente durante a programação, que ocorrerá entre os dias 18 e 19 de setembro. O trabalho aborda o tema sob a perspectiva de conceitos do educador brasileiro. Para o estudo, foi analisado o projeto de extensão que consistiu em uma campanha de arrecadação de donativos para instituições de Brusque, como a Escola Charlotte, AMA, Lar Menino Deus e o Lar Sagrada Família. Além disso, foram produzidos materiais informativos e vídeos com acessibilidade para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) sobre as instituições beneficiadas e a campanha.
Conforme a coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Especial, professora Raquel Maria Cardoso Pedroso, o aceite nessa participação no projeto é significativo e possibilita uma importante troca de experiências entre os pesquisadores. “Todos ganham com essa conquista do curso de Educação Especial. Afinal, divulgar para a comunidade internacional uma ação realizada na UNIFEBE, uma instituição universitária do sul do Brasil, que envolve sociedade, universidade e tecnologia é um feito muito expressivo. Isso não é só notoriedade e validação de uma ação de extensão do curso, mas também incentiva outras ações solidárias extensivas, a produção científica e a pesquisa”, avalia.
Novos olhares
Ao analisar a experiência prática do projeto, a acadêmica Maria Eduarda Batista Tiago destaca a contribuição das práticas de extensão para a formação acadêmica crítica, inclusiva e comprometida com a transformação social. De acordo com ela, a pesquisa dialoga com conceitos centrais da obra de Paulo Freire, salientando que a educação é uma prática humanizadora, construída no encontro e comprometida com a transformação.
“A proposta aproximou a universidade da comunidade, promovendo sensibilização social e fortalecendo discussões sobre inclusão, responsabilidade coletiva e formação humana”, descreve. “Nessa perspectiva, a extensão universitária também se configura como um espaço de aprendizagem mútua, no qual todos os envolvidos ensinam, aprendem e constroem conhecimentos coletivamente”, avalia.
Feliz com a aprovação de seu trabalho para o congresso, Maria Eduarda, afirma que a pesquisa demonstra como as ações desenvolvidas no contexto universitário podem gerar resultados, não só individuais, mas também para a comunidade. Essa é a primeira participação da acadêmica na programação e ela a considera uma experiência importante, pois oportuniza o contato com educadores e pesquisadores de diferentes níveis de experiência no tema.
“Acredito que será um espaço rico em trocas, reflexões e aprendizados. Paulo Freire sempre foi uma grande inspiração em minha trajetória acadêmica e em minha prática pedagógica, especialmente por compreender a educação como um ato de esperança, compromisso social e transformação. Tenho certeza de que esse encontro proporcionará novos olhares, fortalecerá a minha formação como educadora e possibilitará a construção de conexões com pessoas comprometidas com uma educação mais humana, inclusiva e democrática”.
Olhar para a comunidade
Ao longo do projeto, foram arrecadados cerca de 1.450 itens, que foram distribuídos em 485 kits às instituições. Conforme o professor Guilherme Augusto Hilário Lopes, além da entrega dos donativos, o projeto envolveu planejamento coletivo, visitas, levantamento das necessidades de cada instituição e pesquisas sobre comunicação acessível, trabalho colaborativo, organização, empatia e responsabilidade social.
“Mais do que realizar doações, queríamos possibilitar que os acadêmicos conhecessem concretamente a realidade das instituições, dialogassem com suas demandas e compreendessem que a inclusão ultrapassa os espaços escolares”, indica. “Buscamos aproximar os acadêmicos das instituições de Brusque que atuam com pessoas com deficiência e com outros públicos em situação de vulnerabilidade. Os estudantes conheceram a realidade, as práticas, as experiências e as principais necessidades dessas organizações. Por meio desse contato, foram produzidos materiais informativos e desenvolvidas campanhas de divulgação, conscientização e arrecadação de donativos”, descreve.
Conforme o professor que coordenou a curricularização da extensão, o artigo aprovado para ser apresentado no evento representa uma reflexão sobre a prática e analisa a experiência proporcionada. Ele ressalta que a participação é uma oportunidade de aproximar os estudos locais de pesquisas e experiências internacionais que têm Paulo Freire como referência.
“Para os acadêmicos, participar de um evento científico internacional amplia os horizontes e demonstra que as experiências adquiridas durante a graduação podem gerar conhecimento relevante e socialmente comprometido. Essa participação fortalece a formação crítica, estimula o envolvimento com a pesquisa e evidencia que ensino, pesquisa e extensão não devem caminhar de forma separada”, avalia.