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07 de outubro de 2026
por: João Roberge
João Roberge

Hackathon de Robótica une universidade e indústria por desafio no setor calçadista

Atividade promovida pelo Centro de Inovação integrou estudantes em imersão

A UNIFEBE sediou, em 25 e 26 de setembro, o Hackathon de Robótica, uma atividade que aproximou a formação acadêmica das demandas reais do ecossistema produtivo regional. Articulado pelo Centro de Inovação, o evento reuniu estudantes, professores, fornecedores especializados em automação e a empresa Improviso Calçados, de São João Batista, para uma imersão tecnológica voltada à indústria.

A programação começou com uma visita técnica à fábrica da Improviso Calçados. Os acadêmicos puderam observar de perto a linha de produção e receberam o desafio de propor soluções para gargalos críticos do processo.

Na segunda etapa, os participantes se envolveram em oficinas técnicas na UNIFEBE. Foi programado um robô colaborativo, equipado com garra de vácuo, para reproduzir e aperfeiçoar uma situação-problema: a carimbagem dos solados dos calçados, que era executada manualmente. No último dia, as equipes finalizaram os protótipos e apresentaram suas provas de conceito (POC) em formato de pitch para uma banca de gestores da própria indústria calçadista.

Do chão de fábrica à prova de conceito

A equipe se concentrou em automatizar a etapa de carimbagem e prensagem de palmilhas e solados, um processo que poderia ser aprimorado para otimizar a capacidade produtiva da empresa.

Victor Hugo, acadêmico da oitava fase do curso de Sistemas de Informação, detalha como o grupo chegou ao resultado final. “Identificamos que a etapa de carimbagem dos solados representava um dos principais gargalos, principalmente porque ainda era executada manualmente. Com base nos dados coletados, nossa equipe iniciou o desenvolvimento de uma proposta para automatizar essa etapa. O principal objetivo foi reduzir ao máximo a necessidade de intervenção humana, concentrando o operador na alimentação e na retirada do produto.”

“A ideia era fazer com que o robô pegasse as palmilhas de uma caixa por meio de um bico de sucção, as colocasse em um dispositivo no qual seriam prensadas ou marcadas e depois levasse para o local das peças finalizadas. Para isso, desenvolvemos uma prova de conceito (POC) para avaliar a viabilidade da ideia”, complementa Adevar Luís da Rosa Marques, estudante da 10.ª fase de Engenharia Mecânica.

A equipe, então, mediu o tempo médio necessário para cada operação envolvida e constatou que o ganho de eficiência do processo foi próximo de 30%. As empresas Igus Brasil e a Dalflen Automação foram as empresas parceiras no fornecimento de tecnologia para a execução das tarefas.

Toda a experiência foi muito positiva para a Adevar, que destaca a superação das barreiras técnicas por meio do suporte docente e da interdisciplinaridade.

“No início, tive certa dificuldade, pois nunca havia trabalhado com a programação de robôs e desconhecia os conceitos de robótica. O professor Júlio Frantz ajudou muito, pois tinha bastante conhecimento na área e foi nos orientando durante a atividade. Com esse apoio e o trabalho em equipe, fui entendendo melhor e consegui concluir a atividade. Avalio meu desempenho de forma positiva porque superei essa dificuldade e aprendi algo novo na prática.”

“Minha participação no Hackathon também foi uma experiência muito relevante para o desenvolvimento do meu conhecimento em robótica, pois me permitiu aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Sistemas de Informação a um problema real do ambiente industrial. Durante o projeto, trabalhamos com aspectos como análise de processos, levantamento de requisitos, desenvolvimento de soluções, tomada de decisões, resolução de problemas e trabalho em equipe. Mais do que desenvolver um protótipo, tive a oportunidade de compreender uma necessidade real da empresa, propor uma solução, implementá-la e validar seus resultados por meio de dados concretos”, complementa Victor Hugo.

Integração

O professor e pesquisador Júlio Frantz, da UNIFEBE, acompanhou a atividade e classificou o Hackathon como uma forma de cooperação entre universidades, indústrias e fornecedores para a formação de profissionais de robótica e inteligência artificial.

“Elas estão entre as áreas mais discutidas do mundo, e há uma carência de profissionais qualificados na região. Nenhum dos três lados resolveria isso sozinho. A indústria trouxe o problema de fato e abriu a fábrica para uma visita técnica. Os fornecedores trouxeram tecnologia e experiência em integração. A universidade ofereceu o laboratório, o método e os estudantes. O resultado é uma formação que nenhuma das partes entregaria isoladamente.”

A presença de acadêmicos de Sistemas de Informação e Engenharia Mecânica na mesma equipe também foi um aspecto muito positivo, segundo o professor. “A robótica e a IA são campos nos quais essas duas formações precisam conversar, e o Hackathon pôs isso em prática.”

Fomento à inovação

Mais do que o desenvolvimento pontual da ferramenta, o Hackathon evidenciou o impacto da cooperação entre a academia, empresas e fornecedores de tecnologia para suprir a carência regional de mão de obra qualificada em Robótica e Inteligência Artificial, áreas com demanda crescente no mercado global.

A estrutura utilizada no desafio foi viabilizada pelo projeto Laboratório de Estudos, Práticas e Prestação de Serviços em Inteligência Artificial (Luneta-LAB), coordenado pela reitora da UNIFEBE, Rosemari Glatz. O Luneta-LAB é financiado pelo Edital FAPESC n.º 40/2024 — Apoio à Operação da Rede Catarinense de Centros de Inovação.

“É um projeto que demonstra a conversão direta de recursos públicos de fomento em impacto econômico e em capacitação de alto nível. Além disso, reforça o papel da UNIFEBE como instituição comunitária e como uma força capaz de agir diretamente e em conjunto com a indústria”, explica a reitora.

A gestora do Centro de Inovação, professora Cláudia Huber, destaca a importância de articular relações entre o mercado e o Ensino Superior:

“A universidade tem conhecimento e talento, e as empresas têm desafios reais. No entanto, esse potencial só se converte em desenvolvimento quando esses dois setores trabalham juntos. O Hackathon materializou essa articulação, colocando estudantes diante de um problema concreto da indústria, com acesso a equipamentos de ponta e orientados por professores altamente qualificados. Assim, contribuímos para preparar profissionais com as competências em robótica e inteligência artificial de que a região precisa.”

Fale Conosco / Assessoria de Comunicação Social:

comunicacao.assessor@unifebe.edu.br / 47 3211-7223

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