Familiares, estudantes e intercambistas do Programa de Intercâmbio Cultural Brasil-Alemanha se reuniram para o encerramento da etapa brasileira da interação entre a cidade de Brusque e o Distrito de Karlsruhe, na Alemanha. O encontro ocorreu após mais de dez dias de atividades organizadas para os estudantes alemães e para os alunos do Colégio UNIFEBE e da rede pública de Brusque participantes da iniciativa.
O intercâmbio estimulou a aproximação cultural entre estudantes e famílias e teve como tema a preservação dos recursos hídricos. Na UNIFEBE e no Colégio UNIFEBE, os intercambistas participaram de atividades de integração com estudantes e professores e conheceram parte dos laboratórios da instituição.
Entre as atividades desenvolvidas com o grupo, houve visitas ao Laboratório de Águas Vale do Itajaí-Mirim, mantido pelo curso de Engenharia Química da UNIFEBE. Um dos destaques foi o workshop de personalização de bolsas institucionais, realizado nos laboratórios do curso de Moda.
Ainda com foco nos recursos hídricos, os intercambistas conheceram parte da operação do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Brusque e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Chácara Edith. Na cidade, eles foram recepcionados oficialmente, na prefeitura, e visitaram locais importantes para a formação cultural e histórica de Brusque, como a centenária empresa têxtil RenauxView e o centro da cidade.
O roteiro também incluiu viagens a Florianópolis, onde conheceram a Ponte Hercílio Luz, o Centro Histórico, o Mercado Público e as dunas. Em Balneário Camboriú, participaram de uma palestra sobre educação ambiental e visitaram o Parque Unipraias. Já em Bombinhas, conheceram o Morro do Macaco e a Praia de Bombas.
Nova perspectiva
Os dias na região contribuíram para mudar a visão que o estudante da Balthasar-Neumann-Schule 1, Julius Zipper, tinha do país. Morador do estado de Baden-Württemberg, na Alemanha, ele destacou a semelhança entre o dialeto falado na região e o de sua terra natal. Também percebeu a influência europeia na arquitetura.
“Gosto das cidades e minha visão sobre o Brasil mudou bastante para melhor. Normalmente, conhecemos o Rio de Janeiro, São Paulo, as favelas e tudo mais. Mas aqui não é assim. Também adoro as praias. Então, essa experiência realmente mudou minha perspectiva sobre o Brasil. ”
Estudante do Colégio UNIFEBE, Pedro Baumel de Carvalho, já havia participado do intercâmbio na Alemanha e foi recebido pela família do estudante alemão Max Renschler. Dessa vez, coube a ele retribuir a acolhida e, de acordo com o estudante, superadas as barreiras de comunicação, o vínculo entre o colega e a família transcorreu naturalmente.
“Com certeza faria novamente, sem pensar duas vezes. O que fica é a nossa experiência, os laços que a gente fez com as famílias alemãs e com os nossos outros parceiros do intercâmbio”, afirma.
A avaliação é reforçada por sua mãe, Amanda Sanches. Segundo ela, ao atuar como anfitriã, pôde conhecer melhor a Alemanha e a Europa. Amanda indica que as interações também evidenciaram a vontade do jovem alemão de voltar ao Brasil no futuro. Para ela, a participação do filho no intercâmbio trouxe contribuições positivas, e a experiência deve ter tido reflexos também na formação de Max. “O Pedro e, com certeza, o Max levarão isso para a vida. Acho que muda um pouco o modo de pensar e amplia as possibilidades”, avalia.
Para superar as dificuldades de comunicação, Elisete contou com a colaboração da filha e, na ausência dela, recorreu à tecnologia para traduzir. Com o passar dos dias e as interações, afirma, as barreiras foram sendo superadas.
“Aos poucos, passamos a nos entender. Todos os dias perguntávamos se ela havia conseguido dormir bem, como havia sido o dia. Acredito que ela se adaptou bem”, avalia. Segundo ela, a tentativa foi proporcionar uma boa experiência, tal como a que a filha Karla teve na Alemanha. “Ela foi muito bem acolhida lá, e eu quis retribuir da mesma forma aqui. É um enriquecimento que não há como medir, uma oportunidade que não tivemos. Por isso, eu disse a ela que tinha que aproveitar. Criou-se um laço entre todo o grupo.”
Integração com os rios
Segundo o professor do Colégio UNIFEBE, Leonardo Ristow, a programação do intercâmbio foi organizada para ser extensa e intensa para os participantes. Ele reforçou a oportunidade de aproximar os intercambistas da cultura e das belezas naturais do estado, bem como as contribuições do programa a cada nova edição.
“Esse momento foi pensado com muito carinho. Sempre somos muito bem recebidos na Alemanha. Por isso, queremos proporcionar uma experiência que permita aos intercambistas conhecerem a cultura de Brusque, Santa Catarina e do Brasil. Essa experiência é importante, pois aproxima os estudantes dos dois países, estimula o debate sobre um tema relevante para ambos e incentiva essa geração a desenvolver mais ações dedicadas a ele”, explica.
Durante a recepção ao grupo, a presidente da Fundação Educacional de Brusque (FEBE) e reitora da UNIFEBE, professora Rosemari Glatz, compartilhou parte da história da imigração local e o papel dos rios na criação e no desenvolvimento das cidades da região. “Muito antes de termos estradas ligando as primeiras colônias, eram os rios que as conectavam. Preservar os rios é preservar as condições de vida de todos os que vivem nas nossas cidades”, destaca.
A presidente também lembrou a experiência da própria família como anfitriã de intercâmbio. Segundo ela, os laços criados na época se mantiveram ao longo dos anos, possibilitando novos encontros. “Queremos que as relações com as famílias se fortaleçam, e que vocês voltem muitas vezes”, destacou.
Conforme o vice-presidente da FEBE e vice-reitor da UNIFEBE, professor Sergio Rubem Fantini, a cada nova edição do intercâmbio, o benefício da iniciativa para os estudantes é reforçado. “Viemos acompanhando esse projeto de intercâmbio e entendemos o quanto isso valoriza a formação do jovem, tanto o que vem da Alemanha para cá quanto o nosso estudante que vai para a Alemanha”, avalia. “Vocês estão construindo uma amizade que vai durar muito tempo”, projeta.