O Curso de Design de Moda da UNIFEBE teve uma aula especial em 4 de setembro com a pesquisadora e professora convidada Juliana Bez Kroeger, da Universidade Sapienza, de Roma, na Itália. Ela apresentou projetos que estão em andamento na instituição italiana, voltados especialmente à digitalização na moda. A atividade foi realizada no âmbito do componente curricular Modelagem Manual, Computadorizada e Costura: Tecido Plano, ministrada pelo professor Daniel Goulart.
A pesquisadora concentra grande parte de seu trabalho na digitalização da moda. Um dos aspectos abordados é a preservação do patrimônio histórico, por meio da transformação de peças históricas em digital twins (gêmeos digitais).
“Também trabalhamos com modelagem digital em 3D. Nesse diálogo, buscamos mostrar o que estamos desenvolvendo na Sapienza, e trocar experiências com o que vem sendo feito na UNIFEBE. Além da digitalização ser uma demanda do mercado, ela nos supre uma parte da prática para o estudante, que pode colocar a mão na massa, ainda que de forma virtual.”
Embora seu trabalho principal seja o de pesquisadora de pós-doutorado, Juliana também é professora do mestrado Fashion Theory and Practices, ministrado em língua inglesa. O curso tem duração de dois anos acadêmicos, e conta com alunos de 30 nacionalidades diferentes e recebe, em média, 200 novos estudantes por ano. Ela também ministra o curso de digitalização da moda e é orientadora de dissertações e projetos.
Ela destaca que ficou muito impressionada com a estrutura da UNIFEBE, com a disponibilidade dos professores e com os espaços destinados ao Curso de Moda, repletos de recursos para atividades práticas. “Creio que temos algumas coisas a contribuir, mas estou muito impressionada com o que estou levando de volta a Roma com essa visita.”
A Sapienza Università di Roma é uma das instituições estrangeiras parceiras da UNIFEBE, oferecendo a possibilidade de intercâmbio. Juliana pretende manter o contato acadêmico.
“Podemos ativar mais parcerias, a médio, longo e até mesmo curto prazo. Uma colaboração mais continuada, com maior intercâmbio entre alunos. Temos total interesse, uma vez que a Itália é um polo da moda, mas os parques fabris, hoje, estão bem mais reduzidos, especialmente no setor têxtil. É importante para nós, em Roma, termos esse feedback de onde a produção está acontecendo.”
A pesquisadora destaca parcerias relevantes da Sapienza com universidades do Paquistão e da região de Braga e Guimarães, em Portugal. “Mas sou brasileira; tenho interesse em ter esse contato com o Brasil também. E Brusque, nesse ponto de vista, é muito privilegiada, com esse campus maravilhoso e a prática muito conectada à própria indústria, com essa inserção no mercado de trabalho. Levo uma bagagem muito rica a Roma.”
A convidada já participou de atividades a distância com a UNIFEBE. Em junho, ela conversou com os acadêmicos de Design de Moda sobre Digital Clothing e Fashion Digitalization, destacando as transformações digitais, as novas práticas criativas e as possibilidades no campo do vestuário e da formação acadêmica.
O mercado da moda digital e a liberdade criativa do setor chamaram a atenção da acadêmica Ellen Carvalho. “Até então eu não entendia o quão grande poderia ser a procura por trabalhos como este. Vimos que há um mercado crescendo na área de skins para jogos, com o uso totalmente digital. Nesse ambiente digital, os estilistas podem criar peças com formas, materiais e níveis de detalhamento que seriam extremamente difíceis de reproduzir fisicamente. Algumas dessas criações podem ser comercializadas não só no mundo dos jogos, mas também em coleções de grandes marcas, que trazem à tona uma realidade não palpável por meio de peças exclusivas.”
O professor Daniel Goulart destaca a importância da participação para o curso e para a disciplina que ele leciona. “Tanto a parte da preservação da riqueza histórica por meio dos gêmeos digitais quanto a prototipagem 3D representam o que há de mais inovador no setor. Acredito, no entanto, que a mentalidade da digitalização da moda na indústria local ainda precisa ser mais desenvolvida, considerando sua força de desenvolvimento e produção regional. Entretanto, essa é uma realidade que vem se aproximando cada vez mais. Esse, inclusive, foi um dos pontos discutidos entre a professora e os acadêmicos.”
“Ficamos muito felizes em receber a professora Juliana e por termos a oportunidade de apresentar nossa estrutura e nossa cultura institucional. Promover atividades como esta, que estreitam os laços entre a UNIFEBE e nossas instituições internacionais parceiras, é de grande importância e um dos objetivos do setor de internacionalização”, destaca Leonardo Rigon Kasmarek, responsável pelo setor.