Estudantes do Curso de Psicologia da UNIFEBE participaram de uma oficina sobre o uso e a aplicação do ZenBreath 2.0, um jogo de computador desenvolvido para proporcionar relaxamento psicológico e fisiológico. O software tem sido desenvolvido pelo mestrando Henrique Sant’Anna de Faria ao longo de sua graduação em Ciência da Computação e de seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada, ambos na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A ideia é que os acadêmicos executem os testes em atividades que avaliarão a efetividade em sistemas profissionais, contribuindo para o aperfeiçoamento da ferramenta.
O ZenBreath conduz o jogador por quatro fases, que trabalham a respiração lenta, controlada e cadenciada, juntamente com aspectos de meditação e atenção plena. Na versão atual, o sistema de cadastro e login de usuários foi aprimorado, além do armazenamento automático de dados fisiológicos do desempenho do jogador. Trata-se do chamado “jogo sério ativo”, na categoria exergame (exercício + jogo).

O software também foi adaptado para permitir o uso do dispositivo PITACO 2.0 via Bluetooth. O PITACO é um dispositivo que capta a respiração do jogador, por meio de sensores de pressão e de um microprocessador. Foi criado em 2018 para outro jogo desenvolvido na Udesc. Seu nome deriva de “pneumotacógrafo de incentivo”. Entre as melhorias recentes do ZenBreath, está também a conexão do dispositivo com uma máscara de Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (Continuous Positive Airway Pressure – CPAP).
O pesquisador teve o contato com a UNIFEBE intermediado pelo professor André Luiz Thieme, do Curso de Psicologia. Ele compôs as bancas finais de graduação e mestrado na avaliação de Henrique.
“No meu mestrado, estou focando em resolver estas pendências identificadas no ZenBreath durante o Trabalho de Conclusão do Curso de Graduação. Fizemos melhorias no software, no hardware e na forma de avaliação. O jogo foi projetado com o envolvimento de psicólogos e especialistas, que definiram seus requisitos. Estou quase concluindo meu mestrado, no último semestre, e resta apenas avaliar o jogo”, relata Henrique.
As oficinas realizadas na UNIFEBE integram os processos de avaliação da efetividade do ZenBreath em ambientes profissionais. É projetada uma coleta de dados de 50 alunos e estudantes de psicologia de instituições parceiras da Udesc, que aplicarão o jogo a pacientes e voluntários. A avaliação envolverá a captura de dados fisiológicos, como frequência cardíaca, saturação periférica de oxigênio e ondas cerebrais, além de dados subjetivos. Por meio de questionários, serão aferidos dados sobre ansiedade, sintomas de estresse, atenção plena, meditação, motivação, diversão e a utilidade do jogo ativo. Também serão analisados os dados gerados pelo próprio jogo, como o tempo e os níveis máximos de inspiração e expiração, bem como a emoção que mais causa desconforto ao jogador.

Para o acadêmico Flávio Júnior, participar da oficina foi uma experiência bastante enriquecedora, que lhe permitiu conhecer uma ferramenta que une tecnologia, ludicidade e pesquisa científica. “O que mais gostei foi perceber como o jogo consegue trabalhar a respiração de uma forma interativa e acessível, mas sem deixar de lado o embasamento científico. Foi muito interessante também conhecer o funcionamento do software e entender como ele pode ser utilizado para coletar informações e contribuir para a avaliação da própria ferramenta.”
O contato mais próximo com a pesquisa científica voltada para a prática profissional é muito valorizado pelos acadêmicos. “Acho muito potente quando o curso e a coordenação criam esses espaços para que os acadêmicos possam participar, experimentar e conhecer projetos que vão além do que vivenciamos em sala de aula. Essas experiências ampliam nossa formação e nos aproximam de diferentes possibilidades de atuação e pesquisa dentro da Psicologia.”
A parceria com a UDESC, por meio da pesquisa do mestrando Henrique, é de suma importância para nós do Curso de Psicologia, pois proporciona aos acadêmicos e acadêmicas de nosso curso a interseção com outras áreas de conhecimento e amplia a visibilidade de nosso curso na comunidade acadêmica e social”, conclui a coordenadora do Curso de Psicologia da UNIFEBE, professora Andreia Martins.
